A saúde suplementar brasileira pode estar diante de uma das mais profundas alterações regulatórias de sua história recente, e o problema central da minuta de resolução normativa submetida pela ANS à consulta pública 170 não está apenas em ajustes técnicos de contratualização entre operadoras e prestadores, mas na possibilidade concreta de transformação estrutural da assistência privada à saúde em um modelo progressivamente mais financeirizado, padronizado e menos centrado no paciente.
Sob o discurso de modernização contratual, transparência e previsibilidade regulatória, a proposta esconde mecanismos que, na prática, ampliam significativamente o poder das operadoras sobre médicos, clínicas, hospitais e demais prestadores, criando condições para redução indireta de remuneração, fragmentação de redes assistenciais, descredenciamentos parciais, imposição de modelos de remuneração por performance assimétrica e transferência crescente de riscos operacionais, econômicos e regulatórios para quem efetivamente presta o cuidado.
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