Fraudes em planos de saúde deixaram de ser golpes isolados e se transformaram em um modelo de negócio do crime organizado
Durante anos, quando se falava em crime organizado no sistema de saúde, o imaginário remetia a desvios em licitações e contratos superfaturados em secretarias estaduais. Casos graves, mas circunscritos ao setor público e, em geral, associados à figura do político corrupto ou do gestor conivente. Esse tempo acabou.
O crime organizado descobriu a saúde suplementar. E chegou para ficar.
A mudança foi gradual, metódica, quase invisível — e por isso mais perigosa. Enquanto promotores e policiais se atinham ao modelo tradicional de fraude, organizações criminosas mapeavam as brechas do ambiente digital e estruturavam esquemas que hoje movimentam cifras milionárias.
Operações recentes — como a Bisturi, pela Polícia Civil fluminense, e a Esculápio, em Brasília — revelam a dimensão do problema: não se trata mais de estelionato ocasional. Trata-se de crime organizado com estrutura ordenada, hierarquia e divisão de tarefas.
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