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Biogen Submete à Anvisa o primeiro medicamento aprovado no mundo

– Ataxia de Friedreich (AF) é uma doença rara neurodegenerativa, de caráter debilitante que reduz a coordenação muscular e motora progressivamente e diminui a expectativa de vida 

– Até o momento, os tratamentos disponíveis são paliativos 

– Produzido pela Biogen, o medicamento omaveloxolone foi aprovado nos Estados Unidos e União Europeia 

A Biogen Brasil submeteu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o dossiê de registro do medicamento omaveloxolone, primeiro no mundo destinado ao tratamento de Ataxia de Friedreich (AF) em jovens e adultos, para paciente com 16 anos de idade ou mais. O omaveloxolone foi aprovado pelo U.S. Food and Drug Administration (FDA, agência americana reguladora de medicamentos) [i], em fevereiro de 2023, e pela Comissão Europeia[ii], em fevereiro de 2024. 

“É muito significativo como pessoa e profissional acompanhar esse importante passo para que o primeiro medicamento para Ataxia de Friedreich venha a ser disponibilizado aos pacientes do Brasil. Mais do que pioneirismo, vemos o compromisso da Biogen em promover soluções de saúde para necessidades médicas ainda não atendidas, beneficiando, consequentemente, toda a comunidade de AF no país”, comenta o gerente geral da Biogen Brasil, Rogerio Frabetti

O processo de análise da Anvisa compreende a avaliação de estudos sobre medicamento, doses indicadas e respostas clínicas. A submissão segue as diretrizes da RDC Nº 205 de 2017(1) que estabelece procedimentos especiais e prioritários para o registro de novos medicamentos para tratamento de doenças raras. 

Estamos vivendo um instante único em relação à doença. Até o momento, o que tínhamos para Ataxia de Friedreich eram tratamentos paliativos multidisciplinares. Aos pacientes cabia apenas acompanhar e se adaptar à progressão da doença. Agora, temos o omaveloxolone, um medicamento que estabiliza os sintomas. É um avanço formidável em termos científicos, de qualidade de vida e de esperança para pacientes”, avalia a diretora médica da Biogen Brasil, Tatiana Branco.  

Informações atualizadas sobre a epidemiologia da Ataxia de Friedreich são escassas. Estima-se que a doença atinja uma em cada 50 mil pessoas, afetando aproximadamente 15.000 pessoas [iv], no mundo, segundo a Friedreich´s Ataxia Research Alliance (FARA) No Brasil, a Associação Brasileira de Ataxias Hereditárias e Adquiridas (ABAHE) promove inciativa semelhante por meio do Cadastro Nacional de Ataxias, que possui 714 pessoas mapeadas. 

“As pesquisas sobre doenças raras são bastante escassas, em comparação a outras patologias. Há poucos pacientes disponíveis para integrar estudos clínicos, poucos médicos especializados em cada doença, poucos centros especializados. A vida de pessoas com ataxias é bastante dura. Das mais de 100 ataxias catalogadas na literatura médica, só existe tratamento para uma, a Ataxia de Friedreich. E há menos de um ano. Toda pessoa merece um pouco de cuidado, um pouco de atenção, um pouco de assistência. Não podemos deixar de olhar para nossos doentes e lhes oferecer o que estiver ao nosso alcance. Quem tem ataxia, tem pressa”, pondera a diretora da ABAHE, Amalia Maranhão

Ataxia de Friedreich 

A Ataxia de Friedreich é um distúrbio neuromuscular genético causador de danos progressivos ao sistema nervoso. Considerada o tipo mais comum dentre as ataxias hereditária [v],[vi], a doença apresenta caráter degenerativo e progressivo, debilitante e de redução de expectativa de vida[vii]

Comumente, os primeiros sintomas aparecem na infância ou adolescência, embora em casos raros possam não aparecer até a idade adulta, por meio de tropeços ou quedas frequentes, falta de equilíbrio e dificuldade para caminhar. Outras manifestações são fraqueza muscular, perda contínua da coordenação e equilíbrio, fadiga[iv], perda auditiva, problemas de fala e deglutição, escoliose [v] e deficiência visual. O uso de andadores e cadeiras de rodas são comuns em 10 a 20 anos após o diagnóstico. 

A AF ocorre por uma mutação no funcionamento do gene FXN que codifica uma proteína chamada frataxina, que regula o ferro nas mitocôndrias (componentes celulares que produzem energia). Tal alteração genética impede o corpo de produzir quantidades suficientes de frataxina. Os níveis reduzidos da proteína resultam em acúmulo de ferro dentro das células e estresse oxidativo, que levam a neurodegeneração [i], gerando danos às células do cérebro, medula espinhal e dos nervos periféricos, bem como do coração e pâncreas[viii].Por esta razão, pessoas que vivem com AF são mais suscetíveis a desenvolver doenças cardíacas, especificamente a cardiomiopatia (uma inflamação do músculo cardíaco que pode levar à insuficiência cardíaca ou irregularidades do ritmo cardíaco) e diabetes [i]. Em face das complicações, a idade média de morte relatada para pacientes com AF é de apenas de 37 anos [v]

O diagnóstico da doença é feito por meio de testes genéticos que podem ser acompanhados de eletromiografia, eletrocardiograma, ecocardiograma, exames de sangue e ressonância magnética. Os médicos podem também mensurar a função neurológica e a gravidade dos sintomas por meio de escalas de classificação da doença.  

Como a Ataxia de Friedreich pode afetar muitos sistemas no corpo, abordagens multidisciplinares, composta por neurologista, clínico geral, cirurgião ortopédico, cardiologista, endrocrinologista,  fisioterapeuta e fonoaudiólogo apresentam potencial para melhor acompanhamento de pacientes.

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